O mundo de Ana resume-se em lavar, passar, cuidar do lar. Uma vida doméstica, uma mulher que se dedica ao lar e a família, que por caminhos tortos veio cair no destino de esposa, mãe e mulher.
Ana, com sua essência, submissa e levemente sagaz, cria um paradoxo à mulher moderna, de um lado tem-se uma mulher presa em seus medos e desejos, que vê seu mundo desabar ao notar um cego mascando chicletes, do outro, temos uma mulher independente, que concilia trabalho, família e lazer, uma mulher forte e que não deixa de ser feminina.
Um cego mascando chicletes despedaçava a vida de Ana, e todos os seus conceitos, vê-lo foi como levar um tapa na cara, isso fez com que tudo perdesse o sentido, Ana perdeu-se. Vê-se assim, uma mulher limitada, frágil e encurralada em seus próprios anseios.
Há, logicamente, semelhanças entre Ana e a mulher contemporânea, como inseguranças e a preocupação com o lar, mas existe uma diferença evidente, a mulher contemporânea permite-se viver. Casar quando quiser, ter filhos depois dos 30, namorar depois de um divórcio, formar-se e depois constituir uma família.
Existe uma linha tênue que diferencia Ana de outras mulheres, o que as difere e simultaneamente as assemelha, a crise, que é fundamentada nas inseguranças e incertezas femininas, na vontade de possuir exatidão, segurança, e conforto, no desejo de sentir a raiz firme das coisas, da vida e do mundo, uma vontade que as torna mulher e ao mesmo tempo infelizes .
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